domingo, 11 de março de 2012

Blue



Ela sentou a beira mar pois estava cansada de caminhar, e só havia caminhado tanto pois cansara de pensar para solucionar seus problemas. Atendeu o celular e pôs os pés na água, pois o peso de seus ombros era já maior do que o dos problemas que tinha de carregar.


E ficou ali pensando se valia a pena tudo o que já havia feito pelos dois. O melhor amigo era mesmo um desajustado de deixar aquela garota incrivel, e a garota incrivel agora estava desesperada atrás do seu melhor amigo desajustado, aos prantos no telefone, 15 minutos tentando lhe convencer que não havia maneira de sobreviver aquilo. Mas o que ela poderia fazer? Ele sempre fora desta forma, sempre com desculpas e maneiras para se livrar das pessoas que gostava para que futuramente, quem sabe, não magoá-las; e ela estava sentada tentando resolver o problema do desajustado e da incrivel.

Acabou que se viu pensando na sua própria situação de alguns anos atrás, com muitas coisas para pensar e sem solução alguma para todas as questões. E pensou também se havia uma melhor amiga do seu ex amor desajustado para chamá-la de incrível e defende-la da mesma forma como estava agindo. Pensou, não encontrou, e chegou a mesma conclusão que chegara uns tempos atrás. Ela sempre soube se cuidar sozinha embora não soubesse disso antes, e agora tinha certeza que a menina desesperada, chorando do outro lado da linha, a quase 800 km de distância, era mesmo incrível e saberia se virar muito bem sem ela, sem ele, sem qualquer pessoa do mundo, mesmo sem saber.

E também pensou que o garoto desajustado iria se arrepender muito futuramente como acontecera consigo mesma uns anos atrás, e rezou para estar junto dele quando isto acontecesse para que pudesse dizer: “Eu avisei... mas estou contigo melhor amigo”, do mesmo jeito que ele lhe disse naquela época confusa, contando sobre como havia precisado andar pelo litoral para tentar ajudar-lhe outra vez mais. Afinal, amizade de 9 anos a gente não pode jogar assim, pela janela, sem mais nem menos.

A única coisa que realmente sabia era que, esta situação, assim como todas as outras situações embaraçosas e doídas da vida, iam passar, e que futuramente, seu amigo desajustado e ela estariam contando para os netos, rindo, e dizendo: “Ele foi o melhor amigo que eu tive e que alguém certamente pode ter na vida toda, mesmo desajustado, teimoso e abandonador de seus amores...”


Jéssica Bett.

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