sábado, 16 de março de 2013

Você deixou saudade


Saudade. E olhei de angustia pela janela, ouvindo meu relógio tique-taqueando sem parar, porém na mais demorada das horas que lembro de ter passado nos últimos meses.
E lembrei do seu sorriso engraçado, enviesado para mim. Lembrei do seu rosto feliz e das manias tão normais que a gente tinha. A saudade é mesmo uma coisa engraçada né? Uma vez eu li em algum lugar que só podemos sentir falta de algo que já nos pertenceu, o que é um fato curioso já que acho que de fato você nunca foi meu.
É engraçado como em uma hora tanta coisa me passou pela mente. Lembrei de quando brigamos por causa do meu lego antigo - eu querendo montar um castelo e você um navio de guerra - e de como acabamos destruindo tudo aos chutes depois, e eu ri. Lembrei imediatamente de quando tive que esperar duas horas por você na frente da cafeteria e quanto ódio eu senti em mim, e quanto eu chorei naquela noite.
Então me peguei pensando naquele cachecol esquecido na minha cadeira do escritório. De relance podia ver  pela porta entreaberta que este continuava no exato lugar onde fora deixado alguns dias atrás. E lembrei novamente por que eu estava angustiada, andando em zigue-zague pela sala; Então olhei a janela uma centena de vezes mais e o mínimo sinal de 5 minutos terem se passado foram notados somente por que as nuvens haviam se movido no céu nublado.
Olha só, é um dia frio hoje, estou arrepiada e um tanto quanto irritada de novo. É essa coisa angustiante, que é tão permanente quando você some, e ainda mais em um dia de chuva como esse. Eu odeio dias de chuva, odeio muito mesmo por que dias de chuva são dias tristes. Hoje é um dia triste não só pela chuva, você sabe. Ah, quem eu estou enganando? Saudade e angustia.
Andar e andar, cansar, sentar e sair. Estalar os dedos em melodia descompassada só para lembrar de quando você costumava tocar piano e cantar aqui na minha frente. Dias de chuva são horrorosos por que além de tristes eles dão saudade. Um toque de nostalgia nesses dias eu acho, e eu sou uma pessoa que possui uma alma exageradamente cheia destas besteiras. Parece que em mim habita um eterno dia de chuva e frio quando você some.
Vi no relógio então que apenas 15 minutos haviam se passado; deitei no sofá e dormi. Nem sei quanto tempo foi que passou, talvez umas dez horas, quinze ou quarenta e sete, sei que passaram e acordei com saudade, com angustia e medo agora. Você não voltou. Mas eu sei que você não vai voltar, você foi meu?
Não tenho resposta para essas coisas mas de algo podemos ter certeza. Amanhã, mas acho que hoje mesmo, eu irei olhar para o relógio tique-taqueante, nauseante, esperando uma batida na porta, uma correspondência ou um sinal de fumaça talvez. Só que nunca vou deixar de te esperar. Eu prometo.


Jéssica Bett.

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