quarta-feira, 24 de abril de 2013

Tique-Taque.



As vezes da vontade de voltar no tempo pra errar de novo. Sei que a maioria das pessoas não pensa assim e acha que errar mais de uma vez é burrice. Da minha parte eu posso dizer que em muitas vezes foi, mas em outras ocasiões foi mesmo proposital.
Errei um numero de telefone uma vez e acabou caindo na linha de uma pessoa que eu já não via há muitos anos e me fazia muita falta. A pessoa ficou surpresa "Alô? É você mesmo?", e era eu sim, errando uns toques de botão. Passando por um bairro da cidade que fora esquecido, errei de rua e fui parar em frente ao parquinho antigo da minha infância. Encontrei uma antiga vizinha de mesma idade que eu, brincando com uma menininha pequena no balanço, aparentemente sua filha, e ambas sorriam felizes.
Errei ao apertar um zilhão de vezes no botão de play daquela música que me lembrava uma época triste, e também daquela que me lembrava uma época muito feliz, já inalcançável. E também errei esses dias ai mesmo, quando fiz de novo a receita que uma amiga fazia muito bem e gostava muito; Hoje já não amiga, hoje já não tão próxima quanto a gente gostaria.
Eu voltaria no tempo para errar de novo tudo que já errei um dia, voltar a ver sorrisos, voltar a sentir medo e felicidade, voltar para aprender de novo.
Também sei que foi até um tanto trágico ter errado em dar chance para a mesma pessoa e ela ter estragado todas elas; Ahh queria voltar a sentir o friozinho na barriga de dar o passo para o primeiro beijo e para a briga de escola. Queria voltar as vezes, mesmo que a gente saiba que vai doer.

Errar e aceitar, se ajeitar, se rejeitar é uma forma de se conhecer, de se entender pra quem sabe errar propositalmente de novo. Errei bastante em todas as coisas que fiz, e em milhares de passos e decisões que eu tomei, mas afinal das contas, a gente veio nesse mundo pra quê? Sei lá, eu acho. Nem errando eu descobri isso ainda, e acho que bem possivelmente eu não vá descobrir.


Jéssica Bett.

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